sexta-feira, 20 de julho de 2012

CORPANDO COM ARTE

    O projeto CORPANDO COM ARTE está saindo do forno. Pelo nome, pode-se ter uma idéia da proposta, ao mesmo tempo provocando um mínimo de incômodo. "Que palavra estranha é essa? Corpando, e ainda no gerúndio?" Pois é...esta palavra fala muito do mais do que podemos imaginar. O objetivo do trabalho é justamente incluir a realidade corporal em nosso dia-a-dia. O corpo como parte integrante do sujeito. O sujeito que ri, que chora, que vibra, que deseja. Tudo isso tem um corpo, uma forma de se manifestar corporalmente. Que forma é essa, como eu a construo e a desconstruo é o que queremos investigar e experimentar. O gerúndio indica movimento, ação. Um corpo que se faz e desfaz continuamente ao longo da vida.
   Ao incluir a Arte, a experiência fica mais gostosa, mais fluida. Qual é o corpo de quem a manifesta, que manuseia os materiais artísticos, que se deixa levar pelas sensações e vontades que brotam das experiências artísticas? Muitos ou praticamente todos admiram a Arte e poucos se dirão artistas. A Arte num contexto terapêutico desmistifica esta crença, pois cada um é artista de si e para si e experienciá-la poderá substituir mil palavras. Genética, ambiente, sistema nervoso e muscular são assuntos que iremos tratar. Literalmente botar a mão na massa, degustando diversos materiais artísticos é o que iremos fazer.
 O pontapé inicial deste projeto será através do Workshop do dia 18-08 no Canto do Corpo, RJ. Se você tem interesse em experimentar e entender mais sobre a realidade corporal encarnada, bem como saborear o mundo mágico da Arte, você está mais do que convidado.
 Para maiores dúvidas, podem entrar em contato no e-mail www.natunorio@gmail.com
 Aguardo vocês!
 Um grande abraço
 Ana Carolina


quarta-feira, 11 de abril de 2012

O que é ser doula?

Durante o meu curso na faculdade acompanhei de perto o nascer do interesse de uma amiga à tudo que conscerne à gestação natural. Vi que este interesse se tornou um amor profundo e hoje, após estudar, aprofundar e desenvolver seu trabalho, posso dizer que o trabalho com a gestação de forma natural é uma extensão de quem ela é. É bonito de ver, de sentir alguém tão pulsante em sua profissão. Por isto, este post, que fala sobre as doulas, que é um trabalho maravilhoso que cresce a cada dia no Brasil, é dedicado a ela, Aline Tarraga.



      A palavra "doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.
      A Doula traz a missão de ser guardiã da mulher em seu trabalho de parto, lhe confortando e auxiliando, oferecendo apoio e suporte físico e psicoemocional, prepara a mulher e ou casal para vivenciar com profundidade e plenitude este momento tão sagrado de dar à luz ao seu bebê, cuidando deste primeiro contato tão forte e importante entre mãe, pai e bebê, ajuda também na recuperação após o parto, na amamentação e primeiros cuidados com o bebê.
Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, suas mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos e já haviam passado por aquilo. Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebê, estavam sempre na casa da mulher parida, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.
      Conforme o parto foi passando para a esfera médica e nossas famílias foram ficando cada vez menores, fomos perdendo o contato com as mulheres mais experientes. Dentro de hospitais e maternidades, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétrica, a auxiliar de enfermagem, o pediatra. Cada um com sua função bastante definida no cenário do parto.
     O médico está ocupado com os aspectos técnicos do parto. As enfermeiras obstetras passam de leito em leito, se ocupando hora de uma, hora de outra mulher. As auxiliares de enfermeira cuidam para que nada falte ao médico e à enfermeira obstetra. O pediatra cuida do bebê. Apesar de toda a especialização, ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem estar físico e emocional daquela mãe que está dando à luz? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela doula ou acompanhante do parto.
      O trabalho da Doula é um trabalho tão antigo quanto o trabalho das parteiras, há muito e muito tempo, as mulheres se reúnem para gestar, parir e nutrir seus bebês, juntas as mulheres se fortalecem, produzem hormônios, em momentos intensos como o parto se compreendem e se comunicam muito além das palavras, sabem e sentem como auxiliar umas as outras, instinto, intuição, percepção, sabedoria, cuidado, amor, paciência, tranquilidade, confiança, respeito, flexibilidade e presença, são talentos naturais de uma Doula. 

Atuação:
Antes do parto: Através de aulas teóricas, vídeos, filmes, dinâmicas e vivências praticas prepara o casal para o parto, pós-parto, amamentação e primeiros cuidados ao bebê.

Durante o parto: A doula funciona como uma interface entre a equipe de atendimento e o casal. Ela explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis de sua vida. Ela ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para o trabalho de parto e parto, mostra formas eficientes de respiração e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc..

Após o parto: Encontra a nova família para conversar sobre o parto, oferecer apoio e suporte nos cuidados pós parto, amamentação e bebê.

O que a doula não faz?
A doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido. Ela não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.

Interessada no acompanhamento de Doula?
Saiba mais, entre em contato:
Aline Tarraga
Tel: (11) 66822006
E-mail:
gestarnatural@gmail.com

domingo, 27 de novembro de 2011

Shakti: Corpo em Cores. Cajaíba - RJ

No feriado do dia 12/10, um grupo de pessoas se retirou para uma praia semi-deserta ao lado do Pouso da Cajaíba, próximo à Paraty, RJ.
A programação foi semi estruturada envolvendo Yoga, Massagem, Cânticos, preparo de alimentos Ayurvédicos, contação de histórias pessoais, expressão corporal, banhos de cachoeira, caminhadas e interação com a comunidade. O retiro teve a condução suave de Maira Salomão. O preparo e as informações sobre os alimentos Ayurvédicos foram transmitidos pela Prem Madhuri. No domingo, dia 10/10 tivemos uma vivência muito preciosa de expressão envolvendo tinta guache no próprio corpo, movimentos, performances pessoais e muita liberdade. O nome "Shakti: Corpo em Cores" foi escolhido porque através das tintas, da integração do grupo e dos movimentos corporais, a Shakti, nossa força primordial é ativada e pode se manifestar. O início teve a minha condução, utilizando a Arteterapia e a Anatomia Emocional como fios condutores, partindo depois para uma condução auto-gerida pelo grupo, que foi dando as diretrizes de suas expressões individuais e conjuntas. 
A experiência foi extremamente rica, repleta de de afetos, emoções, resgatando a naturalidade, a devoção consigo e o respeito à expressão do outro. Teve início, meio e fim.
Iniciou com experiências particulares, movimentos singulares. Cada um consigo, com seus movimentos e o que cada um quis pintar em si, com traços e cores singulares.  Partindo para o coletivo, surgiu a possibilidade de interação. Pintaram os outros, pintaram nos outros, movimentaram-se juntos, subiram na árvore, cheios de instintos e pulsões. No fim, o grupo em roda, acolheu a expressão, performance individual e não-verbal de cada um como amarração e finalização da experiência.
Um presente poder estar em local tão especial, com a fluidez de uma experiência criativa e terapêutica como esta. Confiram as fotos (publicação autorizada):

Início: Expressões somáticas (corporais) individuais

Sensibilizando: Grupo  de olhos fechados em direção ao mar

Experienciando o mar de olhos fechados

Pinturas: Cores e traços individuais

Expressão direcionada ao grupo, interação de movimentos e pinturas coletivas

Instintos e pulsões

Amarrando a experiência: Roda de performances individuais

Grupo acolhe as expressões singulares de cada um




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Biodiversidade Subjetiva

Esta postagem, cujo texto é de uma palestra de Regina Favre, é de extremo valor tanto para mim como para quem acredito que irá lê-la. Durante três anos frequentei o laboratório de Anatomia Emocional, que se tornou referência de clínica, de filosofia, de discussões políticas, anatomia. Nela, Regina Favre fala de uma abordagem bastante contemporânea de como podemos compreender o sujeito no mundo e incluir de uma vez por todas as relações corporais que ele sofre, constrói e tece com o meio. No artigo, Regina explica de que forma amplificou a visão de Stanley Keleman (Anatomia Emocional) passando então a intitular seu trabalho de Biodiversidade Subjetiva. O interessante neste trabalho é como diversas áreas de conhecimento se fundem e se interconectam para construir uma clínica madura, reflexões de mundo, diálogos filosóficos. Reúne filosofia, psicologia, sistema nervoso e muscular, política, economia, etc. No texto há explicações de Regina e transcrições de perguntas marcantes da palestra. Ela fala da influência das mídias nos corpos e da importância das ações via micropolíticas, tratando de uma forma atual, realista e com um toque até poético, como nós sujeitos corpantes, agimos em rede, criando, usufruindo, afetando, maturando. Confira:

Palestra na Sociedade Brasileira de Análise Bioenergética

Regina Favre apresenta sua trajetória e o conceito de biodiversidade subjetiva, eixo de sua prática clínica e de seu trabalho atual no Laboratório do Processo Formativo, em São Paulo. A partir de 2001, em sucessivos seminários teórico-vivenciais, o pensamento e o método da Anatomia Emocional, do americano Stanley Keleman, foi sendo amplificado.
“Depois de 15 anos de estudos, confrontei a posição apolítica de Keleman e comecei a formular o conceito de biodiversidade subjetiva, que considera o nosso funcionamento em rede. Segundo a visão formativa kelemaniana formamos corpos e vidas, a partir do herdado e do vivido. Mas, penso que hoje vivemos em uma realidade global e necessitamos de uma visão que considere as diferentes ecologias físicas, afetivas, cognitivas e sociais, das quais somos parte e produtores. Mais que indivíduos, somos canais em torno dos quais se tecem sujeitos corporais continuamente. Nessa perspectiva, a biodiversidade não diz respeito apenas à natureza, mas às respostas, linguagens, formas de comportamento e aos ambientes que somos capazes de gerar. Isso não tem nada a ver com o individualismo. Temos a capacidade de produzir diferença no inato e nos modos sociais de constituir sujeito. Esse é o trabalho com a biodiversidade subjetiva, sempre apoiado nos princípios formativos da Anatomia Emocional.” define Regina Favre.

Para afastar-se compreensão kelemaniana moderna de individuo, Regina aproxima-se do filósofo italiano Toni Negri. Hoje somos multidão, multidão de corpos, com a imensa potência de trabalho vivo, cooperação, expressão e, portanto, construção material de mundo e história. Se no passado era o povo que estava na base da sociedade industrial e a luta era contra o poder disciplinar, atualmente, a luta é pela conexão e cooperação entre corpos na criação do que ainda não existe.

Não basta desejar cooperar. Cooperação é o efeito da maturação dos modos de conexão. Essa maturação pode ser propiciada pelos recursos do método formativo e da visão clinica e filosófica da biodiversidade subjetiva. Essa visão original que cruza tantas áreas do conhecimento – filosofia, história social, política, neurociências, educação somática, anatomia evolutiva – é capaz de provocar diálogos instigantes. Como este a seguir, durante uma palestra. Acompanhe:

Clínica e micropolíticas
Platéia – Na clínica, fazemos o atendimento individual e fiquei pensando que isso é pouco, que estamos muito longe de atingir essa rede… (comentário de uma psicoterapeuta).

Regina Favre – É na clínica mesmo que pode acontecer essa maturação dos corpos em direção à necessidade do contemporâneo. O trabalho é pequeno mesmo. Não se trata de promover a grandiosidade da revolução, mas sim, as micropolíticas: cada macaco no seu galho fazendo seu serviço bem feito. Nossa questão não é mais com a repressão, como era na sociedade industrial, capitalista e patriarcal. Hoje, estamos imersos em jogos de força, com tremenda concentração de poder. Dentro da sociedade de consumo, do capitalismo pós-moderno, vivemos a captura do desejo. Atualmente, o poder boicota a cooperação entre os corpos. Não é mais uma questão de autoridade. O grande trabalho hoje é das conexões dentro da multidão, de modo a permitir essa interconexão, para além de classe social ou hierarquia. É a conexão entre os corpos que pode produzir o futuro.

Capitalismo, apavoramento e ilusão
Platéia – O que impede a conexão dos corpos?
Regina – Vivemos completamente rodeados de modos e formas a serem adquiridas, consumidas, que nos oferecem contornos subjetivos prontos, com os quais tentamos nos estabilizar na velocidade dos nossos dias. O mundo é totalmente “midiatizado”. O tempo todo estamos expostos a informação e notícias que assustam tremendamente as pessoas. O que acontece nos corpos no estado de apavoramento? Somos tomados pelo reflexo do susto. Essa resposta em bloco imobiliza. Aquilo que é mostrado no noticiário fala de situações de exclusão – doença, crise, envelhecimento, violência, miséria. Ao mesmo tempo, essa mesma mídia pós-moderna anuncia produtos e mais produtos, que não são apenas coisas, são estilos de vida, contornos existências vendáveis que prometem inclusão. No mesmo instante que compra-se o produto, que supostamente aplacaria essa angústia, a desagregação de si prossegue e a corrida assim torna-se infinita, alimentando o capitalismo. Nesse jogo de forças, as pessoas são mobilizadas a sempre reconfigurar a ilusão. Os vínculos criados a partir dessa “modelização existencial” não funcionam e bloqueiam, reafirmando o desejo sempre de modo individualista. Essa conexão só pode ser restabelecida quando é possível uma maturação dos modos vinculares, que vem da real maturação do modo de funcionamento afetivo dos corpos. Isso permite a produção da diferença e, portanto, da biodiversidade subjetiva.
Platéia – Esta é uma visão otimista… poder se movimentar nesse mundo… Isso dá um alívio…
Regina – Sim, esse trabalho e o conceito de biodiversidade subjetiva é otimista e se contrapõe ao medo gerado pelas imagens a que somos expostos incessantemente.

Co-corpar
Platéia – Queria saber sobre o co-corpar a que você se referiu…
Regina – Hoje, não podemos mais pensar que no mundo contemporâneo a narrativa seja apenas familiar. A narrativa atual é histórico mundial. É necessário navegar por essas redes de relações, sem perder de vista que os corpos se conectam, do mesmo modo que as formas vivas mais simples são conectivas. O corpo é modo de funcionar, na evolução, no crescimento, nas ligações que se estabelecem o tempo todo entre corpos que pensam, sonham, agem, sentem, formam. Na clínica é fundamental cultivar a tolerância somática à diferença, criar um corpo com organização somática tal, com tal diferenciação, que possa tolerar e, mais que isso, conectar-se com as diferenças. Nessa prática, nós produzimos algo, você e eu, por que eu co-corpo com você.



Reportagem e edição: Liliane Oraggio

Foto: Lucia Freitas

Mais artigos sobre Biodiversidade Subjetiva acessem o site: http://www.laboratoriodoprocessoformativo.com/


terça-feira, 9 de agosto de 2011

O problema dos agrotóxicos no Brasil

Ultimamente tenho pesquisado sobre produtos orgânicos e sobre o uso de agrotóxicos. O que tenho encontrados sobre estes últimos é realmente grave, passível de uma mobilização social séria e comprometida. O Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo. A lei para agrotóxicos no país é extremamente defasada e obsoleta (palavras de Leticia Silva, gerente de normatização da Anvisa), pois uma vez que o produto é registrado no país, sua comercialização é vitalícia. Neste caso, a Anvisa não pode fazer como faz com medicamentos, simplesmente tirá-los do mercado uma vez que seus riscos são comprovados. Esta situação somente tem chances de mudar quando três diferentes órgaos (Anvisa, IBAMA e Ministério da Agricultura) são coniventes em contestar o produto e tirá-lo do mercado, ou seja, velha e conhecida burocracia. Em nosso belo país corrupto que abarca toda esta burocracia, os trâmites são atrasados e muitas vezes a suspensão dos agrotóxicos é impedida, enquanto já foram barrados e suspensos em inúmeros países. Enquanto isso, existem consumidores morrendo, se intoxicando e trabalhadores rurais com sua saúde arriscada e debilitada. Entre os danos crônicos mais conhecidos estão neurotoxicidade, problemas reprodutivos, acometimentos no sistema imunológico e endócrino, com danos mais sérios em crianças. Este é um assunto de utilidade pública, que exige preocupação e mobilização. Afinal, quantos por cento da população ingere apenas alimentos orgânicos?

Abaixo uma reportagem que ilustra a problemática dos agrotóxicos e discute os trâmites burocráticos para retirada dos mesmos